segunda-feira, 15 de junho de 2026 - 14:06
15 de junho: conscientização, respeito e proteção à pessoa idosa em uma sociedade que envelhece
O dia 15 de junho é reconhecido mundialmente como o Dia de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa. Instituída pela Rede Internacional de Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa (INPEA) e posteriormente reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data tem como objetivo chamar a atenção da sociedade para uma realidade muitas vezes invisível: a violência praticada contra aqueles que deveriam receber proteção, respeito e cuidado.
A reflexão torna-se ainda mais necessária em um contexto de acelerado envelhecimento populacional. O Brasil vive uma profunda transição demográfica marcada pela redução das taxas de natalidade e pelo aumento da expectativa de vida. Dados do Censo Demográfico de 2022 demonstram que as pessoas com 60 anos ou mais já representam aproximadamente 15,8% da população brasileira, percentual que continua em crescimento. No Rio Grande do Sul, um dos estados mais envelhecidos do país, esse fenômeno é ainda mais evidente.
O município de Taquara acompanha essa tendência. Pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da FACCAT demonstrou que o envelhecimento populacional já produz repercussões significativas sobre os serviços públicos e as políticas voltadas à população idosa no município de Taquara. Mais do que um desafio administrativo, o envelhecimento exige uma mudança cultural capaz de reconhecer a pessoa idosa como sujeito de direitos, protagonista de sua história e integrante fundamental da comunidade. Entretanto, paralelamente ao crescimento da população idosa, observa-se o aumento das situações de violência e maus-tratos. A violência contra a pessoa idosa pode ocorrer de diversas formas: física, psicológica, patrimonial, financeira, sexual, institucional, além da negligência e do abandono. Muitas vezes, não deixa marcas visíveis, mas produz profundas consequências emocionais, sociais e até mesmo físicas. Estudos apontam que a negligência, o abandono e a exploração financeira figuram entre as formas mais frequentes de violência, geralmente praticadas por familiares ou pessoas próximas da vítima.
A literatura especializada demonstra que a violência contra a pessoa idosa não é apenas resultado de conflitos individuais ou familiares. Ela está relacionada também a fatores sociais mais amplos, como o preconceito etário, a desvalorização da velhice, as dificuldades econômicas, a fragilidade das redes de apoio e a insuficiência de políticas públicas. Em uma sociedade que valoriza excessivamente a juventude e a produtividade, o envelhecimento muitas vezes é associado de forma equivocada à incapacidade, à dependência e ao peso social, favorecendo práticas discriminatórias e situações de exclusão.
Grande parte das violências ocorre dentro do próprio ambiente familiar. Esse dado revela uma realidade preocupante: justamente o espaço que deveria oferecer acolhimento e proteção pode se transformar em local de sofrimento para muitos idosos. Por isso, o enfrentamento da violência não pode ser responsabilidade exclusiva do poder público. Trata-se de uma tarefa compartilhada entre família, comunidade e Estado.
A prevenção começa nas atitudes cotidianas. Respeitar a autonomia da pessoa idosa, ouvir suas opiniões, garantir sua participação nas decisões familiares, combater piadas e comentários preconceituosos relacionados à idade, promover ambientes acessíveis e estimular a convivência intergeracional são ações simples, mas fundamentais para a construção de uma cultura de valorização da velhice.
Ao mesmo tempo, é indispensável que a sociedade esteja atenta aos sinais de violência. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento social, medo excessivo, lesões recorrentes, falta de cuidados básicos, retenção indevida de aposentadorias ou benefícios e dificuldades financeiras inexplicáveis podem indicar situações de abuso ou negligência. Diante de qualquer suspeita, a denúncia é uma forma de proteção e cidadania.
No Brasil, denúncias podem ser realizadas de forma gratuita e anônima pelo Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos. Também podem ser comunicadas à Polícia Civil, ao Ministério Público, aos Conselhos Municipais dos Direitos da Pessoa Idosa, aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), aos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e aos serviços de saúde. Mais do que denunciar situações já instaladas, é necessário construir uma sociedade preparada para envelhecer. O envelhecimento populacional não deve ser visto como um problema, mas como uma conquista social decorrente dos avanços da saúde, da ciência e das condições de vida. Contudo, para que essa conquista se traduza em qualidade de vida, dignidade e cidadania, é indispensável fortalecer políticas públicas, ampliar redes de proteção e promover uma mudança cultural baseada no respeito aos direitos da pessoa idosa.
Neste 15 de junho, a conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa deve servir como um convite à reflexão coletiva. A forma como tratamos nossos idosos revela, em grande medida, os valores que orientam nossa sociedade. Respeitar, proteger e valorizar a pessoa idosa não é apenas uma obrigação legal; é um compromisso ético com a dignidade humana e com o futuro que todos desejamos alcançar.
Artigo de:
Dilani Silveira Bassan
Osiel Pimentel de Bitencourt




